(Fernando Pessoa): Ciclos em nossas vidas Sempre é preciso ...
Ciclos em nossas vidas
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final..
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração..... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te :
“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”
(Fernando Pessoa)
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Este blog tem como objetivo tratar de assuntos educacionais na sua esfera mais ampla, especialmente no que diz respeito a linguagem e ensino-aprendizagem.
Quem sou eu
- Linguistas Afins
- Currais Novos, RN, Brazil
- Sou Lourdinha, licenciada em Letras pela UFRN, Especialista em Linguística Aplicada pela UERN e atualmente lecionando Língua Portuguesa na rede pública de ensino nos municípios de Acari e Florania.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
domingo, 28 de março de 2010
Isso são pérolas!
PARECE PIADA, MAS NÃO É...
Frases Publicadas em alguns jornais do Rio de Janeiro:
"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano.''
(Na cova?) - Jornal do Brasil.
''Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente.''
(O frio não estava filiado ao sindicato grevista) - O GLOBO
''Os sete artistas compõem um trio de talento.''
(Hã?) - EXTRA.
'A vítima foi estrangulada a golpes de facão.'
(uma nova modalidade de estrangulamento) - O DIA.
''Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável.''
(De modo algum!) - O GLOBO.
''No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos.''
(Naturalmente .....) - O DIA.
''Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva.''
(Jura?) - JORNAL DO BRASIL.
''Parece que ela foi morta pelo seu assassino.''
(Não diga!) - EXTRA.
''O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas.''
(Gente, até ontem era um triângulo! Vai ver que qualquer dia inventem o CÍRCULO DAS BERMUDAS...) - EXTRA.
''O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou.''
(Seria a volta dos mortos-vivos?) - O DIA.
''A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço.''
(Que aberração!) - EXTRA.
''Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes.''
(Água no além para purificar as almas...) JORNAL DO BRASIL.
''O aumento do desemprego foi de 0% em novembro.''
(Onde vamos parar desse jeito?)
''O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos.''
(Quanta confusão!)
''Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio.''
(Ah, bom! achei que fosse um churrasco!)
''Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel.''
(Viu como ele é disciplinado?)
''O cadáver foi encontrado morto dentro do carro.''
(Sem Comentários...)
''Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto.''
(Acorda?)
Escreveu Rokatia Kleania às 12:02 0 comentário(s)
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Frases Publicadas em alguns jornais do Rio de Janeiro:
"A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano.''
(Na cova?) - Jornal do Brasil.
''Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente.''
(O frio não estava filiado ao sindicato grevista) - O GLOBO
''Os sete artistas compõem um trio de talento.''
(Hã?) - EXTRA.
'A vítima foi estrangulada a golpes de facão.'
(uma nova modalidade de estrangulamento) - O DIA.
''Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável.''
(De modo algum!) - O GLOBO.
''No corredor do hospital psiquiátrico os doentes corriam como loucos.''
(Naturalmente .....) - O DIA.
''Ela contraiu a doença na época que ainda estava viva.''
(Jura?) - JORNAL DO BRASIL.
''Parece que ela foi morta pelo seu assassino.''
(Não diga!) - EXTRA.
''O acidente foi no triste e célebre Retângulo das Bermudas.''
(Gente, até ontem era um triângulo! Vai ver que qualquer dia inventem o CÍRCULO DAS BERMUDAS...) - EXTRA.
''O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou.''
(Seria a volta dos mortos-vivos?) - O DIA.
''A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço.''
(Que aberração!) - EXTRA.
''Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério, para a satisfação dos habitantes.''
(Água no além para purificar as almas...) JORNAL DO BRASIL.
''O aumento do desemprego foi de 0% em novembro.''
(Onde vamos parar desse jeito?)
''O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos.''
(Quanta confusão!)
''Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio.''
(Ah, bom! achei que fosse um churrasco!)
''Na chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel.''
(Viu como ele é disciplinado?)
''O cadáver foi encontrado morto dentro do carro.''
(Sem Comentários...)
''Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto.''
(Acorda?)
Escreveu Rokatia Kleania às 12:02 0 comentário(s)
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terça-feira, 9 de março de 2010
Palavras sobre palavras
Existem hoje cerca de 10 mil línguas no mundo. Apenas 400 têm escrita. Menos de 100 tem alta tradição gráfica e literária, e, dessas, 12 são línguas de mais de 100 milhões de usuários: Chinês, Inglês, Hindi-Urdu, Espanhol, Russo, Árabe, Bengali, Português, Malaio-Indonésio, Japonês, Alemão e Francês.
De onde nos vem esse extraordinário legado, a língua portuguesa, que atualmente conta com mais de 400 mil palavras?
Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a Terra.
Gênesis, 11,9
Existem hoje cerca de 10 mil línguas no mundo. Apenas 400 têm escrita. Menos de 100 tem alta tradição gráfica e literária, e, dessas, 12 são línguas de mais de 100 milhões de usuários: Chinês, Inglês, Hindi-Urdu, Espanhol, Russo, Árabe, Bengali, Português, Malaio-Indonésio, Japonês, Alemão e Francês.
De onde nos vem esse extraordinário legado, a língua portuguesa, que atualmente conta com mais de 400 mil palavras?
Por isso deram-lhe o nome de Babel, porque ali o Senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e dali os dispersou sobre a face de toda a Terra.
Gênesis, 11,9
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Professores vão parar pelo piso
O Portal da CNTE anuncia o que aqui neste blog já havia advertido: estabelecer um piso fora da lei só aumentaria o conflito entre gestores estaduais e municipais e os professores.
O mês de março promete muita mobilização dos professores brasileiros. Teremos um Dia de Mobilização nos Estados e Municípios (10 de março) e um Dia Nacional de Paralisação (dia 16 de março).
Textualmente a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação afirma:
Já a partir de 1º de janeiro de 2010, a CNTE contrapôs a ABSURDA sugestão do MEC de reajustar o PSPN em 7,86% que, a nosso ver, afronta de forma grave a Lei do Piso. Dessa forma, para a CNTE, o Piso, em 2010, corresponde à quantia de R$ 1.312,85, ou seja, deve-se aplicar ao valor de 2009 (R$ 1.132,40) o percentual de correção do Fundeb deste ano que foi de 15,94%.
Diante da inobservância de grande parte dos entes federados à norma do PSPN, e, tendo em vista a crescente mobilização dos Sindicatos de Educadores em todo país - que já acenam com a possibilidade de iniciarem o ano letivo em greve, haja vista o fracasso das negociações com os gestores públicos- a CNTE e suas Entidades Filiadas acionarão o Poder Judiciário para fazer valer todos os dispositivos da Lei 11.738, declarados constitucionais pelo STF até o momento.
Outra medida importante a ser tomada pelos Sindicatos de Educadores, desde já, diz respeito à denúncia, ao Ministério Público, dos gestores que estejam descumprindo a Lei do Piso. Essa ação é importante para acelerar o processo de cumprimento da Lei federal e de punição dos gestores públicos por improbidade administrativa.
O interessante é que o ente federado que deveria estabelecer o valor do piso todo 1º de janeiro continua fingindo de morto. O MEC orientou os estados e municípios a pagarem um piso rebaixado, baseado em resposta da AGU a consulta feita pelo Ministério. Acontece que até o momento ninguém conhece o teor da consulta nem da resposta.
Como havia previsto, a bomba está estourando nas mãos dos gestores estaduais e municipais.
Postado por Luiz Araújo
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O mês de março promete muita mobilização dos professores brasileiros. Teremos um Dia de Mobilização nos Estados e Municípios (10 de março) e um Dia Nacional de Paralisação (dia 16 de março).
Textualmente a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação afirma:
Já a partir de 1º de janeiro de 2010, a CNTE contrapôs a ABSURDA sugestão do MEC de reajustar o PSPN em 7,86% que, a nosso ver, afronta de forma grave a Lei do Piso. Dessa forma, para a CNTE, o Piso, em 2010, corresponde à quantia de R$ 1.312,85, ou seja, deve-se aplicar ao valor de 2009 (R$ 1.132,40) o percentual de correção do Fundeb deste ano que foi de 15,94%.
Diante da inobservância de grande parte dos entes federados à norma do PSPN, e, tendo em vista a crescente mobilização dos Sindicatos de Educadores em todo país - que já acenam com a possibilidade de iniciarem o ano letivo em greve, haja vista o fracasso das negociações com os gestores públicos- a CNTE e suas Entidades Filiadas acionarão o Poder Judiciário para fazer valer todos os dispositivos da Lei 11.738, declarados constitucionais pelo STF até o momento.
Outra medida importante a ser tomada pelos Sindicatos de Educadores, desde já, diz respeito à denúncia, ao Ministério Público, dos gestores que estejam descumprindo a Lei do Piso. Essa ação é importante para acelerar o processo de cumprimento da Lei federal e de punição dos gestores públicos por improbidade administrativa.
O interessante é que o ente federado que deveria estabelecer o valor do piso todo 1º de janeiro continua fingindo de morto. O MEC orientou os estados e municípios a pagarem um piso rebaixado, baseado em resposta da AGU a consulta feita pelo Ministério. Acontece que até o momento ninguém conhece o teor da consulta nem da resposta.
Como havia previsto, a bomba está estourando nas mãos dos gestores estaduais e municipais.
Postado por Luiz Araújo
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Risco de quê?
RISCO DE MORTE / RISCO DE VIDA Se o risco é sempre de coisa ruim ("risco de infecção", "risco de contaminação", "risco de não se classificar para a fase final do campeonato", "risco de ficar desempregado", "risco de adoecer" etc.), parece cabível que se dêem como legítimas as construções "risco de morte" e "risco de morrer" ("Fulano ainda corre risco de morte"; "Fulano corre risco de morrer").
No entanto, há pelo menos duas explicações para o emprego de "risco de vida" no lugar de "risco de morte". A primeira delas se baseia no inegável horror que a palavra "morte" causa, o que talvez nos faça fugir dela como o diabo foge da cruz. A segunda explicação (talvez mais plausível) se assenta na idéia do cruzamento de construções ("Sua vida corre risco" com "Ele corre risco de vida", por exemplo) ou ainda na pura e simples omissão ("Correr o risco de [perder a] vida"). O nome técnico dessa omissão (de termo que se subentende) é "elipse".
O fato é que, nesses casos, não parece sensato remar contra a maré. O uso mais do que difundido da expressão "risco de vida" é motivo mais do que suficiente para que a aceitemos pacificamente. É bom que se diga que não lhe faltam registros nos dicionários. O "Dicionário Houaiss" dá três exemplos do emprego de "risco" com o sentido de "probabilidade de perigo" ("risco de vida", "risco de infecção", "risco de contaminação"). Publicado em 2001, o "Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea", da Academia das Ciências de Lisboa, dá "risco de vida" e "perigo iminente de morte" como expressões equivalentes, exemplificadas com esta frase: "O doente encontra-se em risco de vida".
FONTE: site NOSSA LÍNGUA NOSSA PÁTRIA
Li e publiquei.
No entanto, há pelo menos duas explicações para o emprego de "risco de vida" no lugar de "risco de morte". A primeira delas se baseia no inegável horror que a palavra "morte" causa, o que talvez nos faça fugir dela como o diabo foge da cruz. A segunda explicação (talvez mais plausível) se assenta na idéia do cruzamento de construções ("Sua vida corre risco" com "Ele corre risco de vida", por exemplo) ou ainda na pura e simples omissão ("Correr o risco de [perder a] vida"). O nome técnico dessa omissão (de termo que se subentende) é "elipse".
O fato é que, nesses casos, não parece sensato remar contra a maré. O uso mais do que difundido da expressão "risco de vida" é motivo mais do que suficiente para que a aceitemos pacificamente. É bom que se diga que não lhe faltam registros nos dicionários. O "Dicionário Houaiss" dá três exemplos do emprego de "risco" com o sentido de "probabilidade de perigo" ("risco de vida", "risco de infecção", "risco de contaminação"). Publicado em 2001, o "Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea", da Academia das Ciências de Lisboa, dá "risco de vida" e "perigo iminente de morte" como expressões equivalentes, exemplificadas com esta frase: "O doente encontra-se em risco de vida".
FONTE: site NOSSA LÍNGUA NOSSA PÁTRIA
Li e publiquei.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Movimento Nacional em Defesa
da Língua Portuguesa
NOSSO IDIOMA
Há risco para a língua?
Entrevista de Mário Perini (*)
A maior parte dos lingüistas torce o nariz quando o assunto é regulamentar ou normatizar a língua. Segundo eles, a língua é dinâmica e empréstimos feitos de outro idioma ou acabam sendo assimilados ou simplesmente deixam de ser utilizados com o tempo. Nesta entrevista para a revista Com Ciência, o lingüista e professor visitante da Universidade do Mississipi (EUA), Mário Perini, explica como funciona esse processo. Perini escreveu recentemente um artigo para a Ciência Hoje sobre o assunto.
Outro assunto abordado é o eventual desaparecimento de certas línguas no futuro, devido ao processo de globalização. Ele rebate principalmente as declarações do lingüista Steve Fischer, que previu que línguas mais difundidas como o espanhol e o inglês se tornariam as únicas no mundo. "As declarações do Steven Fisher são muito pouco fundamentadas no conhecimento lingüístico atual", afirma Perini.
Com Ciência - No artigo que o senhor escreveu para a revista Ciência Hoje, o senhor afirma que a maioria dos empréstimos estrangeiros desaparece, e os que ficam são assimilados. Como se dá esse processo que leva à inclusão de alguns termos no léxico e ao desuso de outros? E no caso da inclusão, que tipo de transformação ocorre antes de um termo estrangeiro ser incorporado no léxico da nossa língua?
Mário Perini - O processo de assimilação de certos itens e eliminação de outros é complexo. Primeiro, certos empréstimos desaparecem porque a coisa que designam cai de moda ou se torna obsoleta. Exemplos são ban-lon; boogie-woogie; mi-mollet; lansquenete e muitos outros que você provavelmente nem conhece. Outros empréstimos são substituídos por formações vernáculas: goal-keeper hoje é goleiro; corner é escanteio; off-side é impedimento etc. Ainda outros ficam, mas são graficamente assimilados, de maneira que nem se sabe que são estrangeiros: gol (goal); nocaute (knock-out); batom (bâton); marrom (marron) e muitos outros.
Esses três processos dão conta da grande maioria dos termos estrangeiros. Fica uma quarta categoria, que não se assimila graficamente (embora assuma sempre pronúncia portuguesa): impeachment; site; off (desconto), nylon, etc.
São esses últimos os verdadeiramente irritantes. A maioria é muito recente, e não se sabe se vão acabar sendo assimilados ou eliminados de uma maneira ou de outra. Alguns deles persistem porque não têm equivalente em português: não se falava de site, e-mail, marketing até que as coisas propriamente ditas entraram na nossa conversa. Alguns, bem ou mal, já se assimilaram: salvar (alguma coisa no computador); deletar; e o próprio computador (em italiano ainda se diz computer).
Com Ciência - O senhor também critica as previsões de Steven Fisher de que as línguas mais difundidas, como o inglês e o espanhol, se tornariam as únicas do mundo em algum tempo. O seu argumento é que estamos longe de uma situação de submissão política e cultural que leve ao predomínio de outra língua sobre o português no Brasil. O senhor não acha que há uma crescente dominação da cultura e da economia norte-americana em todo o mundo, através da música, do cinema e da indústria do entretenimento, no âmbito cultural, e das multinacionais, no âmbito econômico?
Perini - As declarações do Steven Fisher são muito pouco fundamentadas no conhecimento lingüístico atual. Línguas não "se misturam", como ele disse. E, quanto ao português se misturar com o espanhol, não há o menor sintoma disso. A influência que sofremos hoje é do inglês, antes de tudo; um pouquinho do italiano e do francês. Do espanhol praticamente nada. Em segundo lugar, o desaparecimento de uma língua em favor de outra é um processo de muitos séculos; falar da substituição do português por outra língua qualquer no Brasil é se apressar muito.
Vou dar um exemplo: na Irlanda a influência inglesa é predominante desde a Idade Média. Por volta de 1600, metade da Irlanda pertencia a donos ingleses, e toda a ilha era uma colônia britânica. Além disso, o irlandês é uma língua dividida em dialetos, e sem prestígio, quase sem literatura nos tempos modernos, e chegou a ser falada por cerca de 3 milhões de pessoas no máximo. O inglês está ali do lado, a 50 km, e é a língua mais difundida do mundo. Apesar disso, o irlandês resistiu até hoje. É verdade que está morrendo, mas agüentou uns bons 600 anos, nessas condições extremamente desfavoráveis.
Agora, dizer que o português está indo no mesmo caminho é meio prematuro. O português sempre foi a língua de povos culturalmente dominados, e nem por isso desapareceu. A influência norte-americana é predominante há cerca de 60 anos. Mas não há sinal nenhum de que a população brasileira, ou parte dela, esteja abandonando o português como língua nativa. O domínio cultural dos EUA, pra não falar do econômico e político, é um fato, mas até agora sem conseqüências drásticas no campo lingüístico.
Com Ciência - O senhor afirma que tanto a linguagem falada quanto a linguagem escrita evoluem com o tempo e se influenciam mutuamente. O senhor não acha que a modalidade escrita da língua pode ser padronizada por mecanismos legais, como se fez na França? E no caso do português brasileiro, o que o senhor acha do projeto de lei do deputado Aldo Rebelo, que restringe o uso de estrangeirismos?
Perini - Sobre a padronização da língua escrita através de leis, eu acredito muito mais em uma campanha junto à imprensa. Numa coisa eu concordo com o Aldo Rebelo: essa invasão de termos ingleses é irritante. É como se me jogassem na cara a todo momento que minha cultura é inferior. Minha cultura, note, não a minha língua. O Brasil é um país subalterno de todo ponto de vista. Agora até no futebol!
Nosso governo é um simples gerente a serviço do FMI, nossa tecnologia é importada, nossa elite manda os filhos para estudar no estrangeiro, os programas culturais da nossa TV são predominantemente importados, a maioria dos livros que se lêem são traduções, etc, etc, etc. A língua só vai atrás, pois tem que exprimir tudo isso.
Resolver o problema dos empréstimos, por lei ou não, é como dar um analgésico para um paciente que, vai ver, sofre de um tumor no cérebro. Resolve na hora, mas não ataca a raiz do problema, que, tenho que repetir, é econômico, político, cultural, e não lingüístico. Não quero dizer que não se deva fazer nada, mas uma lei não tem o poder de fazer isso. Vai ser apenas mais uma fonte de multas.
Quem sabe uma campanha intensiva e honesta, tentando motivar a população a dar mais valor a sua língua e a sua cultura, sua música, sua arte? Quem sabe até a sua economia? As leis, no Brasil mais do que em muitos outros países, freqüentemente funcionam para atrapalhar. Os governantes não sabem disso, e têm a ilusão de que com uma nova lei vão resolver alguma coisa. Mas nós, o povo, sabemos que não é assim. Senão, o Brasil seria quase o paraíso, porque nossas leis até que são boas.
Com Ciência - Mas mesmo que o projeto não seja aprovado, o senhor não acha que ele já contribuiu por colocar a língua e seu destino em discussão?
Perini - O projeto do Aldo Rebelo, como eu já disse, não vai ter utilidade nenhuma como lei. Mas concordo que serve para chamar a atenção para o problema. E concordo que é um problema, ou para ser mais exato, é parte de um grande problema.
(*) Entrevista publicada pela revista Com Ciência. Texto enviado em 2/1/2002 à lista de debates Idioma pelo internauta Xexéu, então aluno do curso de Letras da Universidade Católica de Santos (4º ano).
Li e publiquei.
da Língua Portuguesa
NOSSO IDIOMA
Há risco para a língua?
Entrevista de Mário Perini (*)
A maior parte dos lingüistas torce o nariz quando o assunto é regulamentar ou normatizar a língua. Segundo eles, a língua é dinâmica e empréstimos feitos de outro idioma ou acabam sendo assimilados ou simplesmente deixam de ser utilizados com o tempo. Nesta entrevista para a revista Com Ciência, o lingüista e professor visitante da Universidade do Mississipi (EUA), Mário Perini, explica como funciona esse processo. Perini escreveu recentemente um artigo para a Ciência Hoje sobre o assunto.
Outro assunto abordado é o eventual desaparecimento de certas línguas no futuro, devido ao processo de globalização. Ele rebate principalmente as declarações do lingüista Steve Fischer, que previu que línguas mais difundidas como o espanhol e o inglês se tornariam as únicas no mundo. "As declarações do Steven Fisher são muito pouco fundamentadas no conhecimento lingüístico atual", afirma Perini.
Com Ciência - No artigo que o senhor escreveu para a revista Ciência Hoje, o senhor afirma que a maioria dos empréstimos estrangeiros desaparece, e os que ficam são assimilados. Como se dá esse processo que leva à inclusão de alguns termos no léxico e ao desuso de outros? E no caso da inclusão, que tipo de transformação ocorre antes de um termo estrangeiro ser incorporado no léxico da nossa língua?
Mário Perini - O processo de assimilação de certos itens e eliminação de outros é complexo. Primeiro, certos empréstimos desaparecem porque a coisa que designam cai de moda ou se torna obsoleta. Exemplos são ban-lon; boogie-woogie; mi-mollet; lansquenete e muitos outros que você provavelmente nem conhece. Outros empréstimos são substituídos por formações vernáculas: goal-keeper hoje é goleiro; corner é escanteio; off-side é impedimento etc. Ainda outros ficam, mas são graficamente assimilados, de maneira que nem se sabe que são estrangeiros: gol (goal); nocaute (knock-out); batom (bâton); marrom (marron) e muitos outros.
Esses três processos dão conta da grande maioria dos termos estrangeiros. Fica uma quarta categoria, que não se assimila graficamente (embora assuma sempre pronúncia portuguesa): impeachment; site; off (desconto), nylon, etc.
São esses últimos os verdadeiramente irritantes. A maioria é muito recente, e não se sabe se vão acabar sendo assimilados ou eliminados de uma maneira ou de outra. Alguns deles persistem porque não têm equivalente em português: não se falava de site, e-mail, marketing até que as coisas propriamente ditas entraram na nossa conversa. Alguns, bem ou mal, já se assimilaram: salvar (alguma coisa no computador); deletar; e o próprio computador (em italiano ainda se diz computer).
Com Ciência - O senhor também critica as previsões de Steven Fisher de que as línguas mais difundidas, como o inglês e o espanhol, se tornariam as únicas do mundo em algum tempo. O seu argumento é que estamos longe de uma situação de submissão política e cultural que leve ao predomínio de outra língua sobre o português no Brasil. O senhor não acha que há uma crescente dominação da cultura e da economia norte-americana em todo o mundo, através da música, do cinema e da indústria do entretenimento, no âmbito cultural, e das multinacionais, no âmbito econômico?
Perini - As declarações do Steven Fisher são muito pouco fundamentadas no conhecimento lingüístico atual. Línguas não "se misturam", como ele disse. E, quanto ao português se misturar com o espanhol, não há o menor sintoma disso. A influência que sofremos hoje é do inglês, antes de tudo; um pouquinho do italiano e do francês. Do espanhol praticamente nada. Em segundo lugar, o desaparecimento de uma língua em favor de outra é um processo de muitos séculos; falar da substituição do português por outra língua qualquer no Brasil é se apressar muito.
Vou dar um exemplo: na Irlanda a influência inglesa é predominante desde a Idade Média. Por volta de 1600, metade da Irlanda pertencia a donos ingleses, e toda a ilha era uma colônia britânica. Além disso, o irlandês é uma língua dividida em dialetos, e sem prestígio, quase sem literatura nos tempos modernos, e chegou a ser falada por cerca de 3 milhões de pessoas no máximo. O inglês está ali do lado, a 50 km, e é a língua mais difundida do mundo. Apesar disso, o irlandês resistiu até hoje. É verdade que está morrendo, mas agüentou uns bons 600 anos, nessas condições extremamente desfavoráveis.
Agora, dizer que o português está indo no mesmo caminho é meio prematuro. O português sempre foi a língua de povos culturalmente dominados, e nem por isso desapareceu. A influência norte-americana é predominante há cerca de 60 anos. Mas não há sinal nenhum de que a população brasileira, ou parte dela, esteja abandonando o português como língua nativa. O domínio cultural dos EUA, pra não falar do econômico e político, é um fato, mas até agora sem conseqüências drásticas no campo lingüístico.
Com Ciência - O senhor afirma que tanto a linguagem falada quanto a linguagem escrita evoluem com o tempo e se influenciam mutuamente. O senhor não acha que a modalidade escrita da língua pode ser padronizada por mecanismos legais, como se fez na França? E no caso do português brasileiro, o que o senhor acha do projeto de lei do deputado Aldo Rebelo, que restringe o uso de estrangeirismos?
Perini - Sobre a padronização da língua escrita através de leis, eu acredito muito mais em uma campanha junto à imprensa. Numa coisa eu concordo com o Aldo Rebelo: essa invasão de termos ingleses é irritante. É como se me jogassem na cara a todo momento que minha cultura é inferior. Minha cultura, note, não a minha língua. O Brasil é um país subalterno de todo ponto de vista. Agora até no futebol!
Nosso governo é um simples gerente a serviço do FMI, nossa tecnologia é importada, nossa elite manda os filhos para estudar no estrangeiro, os programas culturais da nossa TV são predominantemente importados, a maioria dos livros que se lêem são traduções, etc, etc, etc. A língua só vai atrás, pois tem que exprimir tudo isso.
Resolver o problema dos empréstimos, por lei ou não, é como dar um analgésico para um paciente que, vai ver, sofre de um tumor no cérebro. Resolve na hora, mas não ataca a raiz do problema, que, tenho que repetir, é econômico, político, cultural, e não lingüístico. Não quero dizer que não se deva fazer nada, mas uma lei não tem o poder de fazer isso. Vai ser apenas mais uma fonte de multas.
Quem sabe uma campanha intensiva e honesta, tentando motivar a população a dar mais valor a sua língua e a sua cultura, sua música, sua arte? Quem sabe até a sua economia? As leis, no Brasil mais do que em muitos outros países, freqüentemente funcionam para atrapalhar. Os governantes não sabem disso, e têm a ilusão de que com uma nova lei vão resolver alguma coisa. Mas nós, o povo, sabemos que não é assim. Senão, o Brasil seria quase o paraíso, porque nossas leis até que são boas.
Com Ciência - Mas mesmo que o projeto não seja aprovado, o senhor não acha que ele já contribuiu por colocar a língua e seu destino em discussão?
Perini - O projeto do Aldo Rebelo, como eu já disse, não vai ter utilidade nenhuma como lei. Mas concordo que serve para chamar a atenção para o problema. E concordo que é um problema, ou para ser mais exato, é parte de um grande problema.
(*) Entrevista publicada pela revista Com Ciência. Texto enviado em 2/1/2002 à lista de debates Idioma pelo internauta Xexéu, então aluno do curso de Letras da Universidade Católica de Santos (4º ano).
Li e publiquei.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Morre Secretário de Educação do RN
O Secretário de Educação do Rio Grande do Norte, Ruy Pereira, morreu ontem em acidente automobilístico na BR-101 quando estava indo passar o carnaval com sua família em Recife. O motorista perdeu o controle do veículo saindo da pista, mas quando conseguiu retornar invadiu a contramão e foi atingido por um caminhão Volkswagen. Ele tinha 60 anos e morreu no local, preso nas ferragens.
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